Por que somos tão obcecados por triângulos amorosos?

Com o lançamento da segunda temporada de Fuller House, na última sexta, tivemos também a volta do triângulo amoroso Steve/D.J./Matt e mais uma vez nos deparamos com uma escolha que se arrasta ao longo dos 13 episódios.

E isso me trouxe à cabeça um questionamento: porque não vemos poligamia na TV? Ah, claro, porque é um tabu. Surpreendentemente, a poligamia é proibida em vários países, inclusive no Brasil. Mas nada impede que casais sejam constituídos por mais de duas pessoas se elas não se importarem de formalizar a união legalmente.

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E isso realmente ocorre. Os mórmons, por exemplo, são praticantes da poliginia (um homem com mais de uma mulher), assim como seguidores do Corão. A poliandria (uma mulher com mais de um marido) é ainda mais difícil de se ver, tal qual o machismo ainda se enraíza na sociedade. Afinal de contas, as esposas de um sultão nunca são vistas como lésbicas, mas coloque uma mulher com um divã e espere pela reação dos espectadores.

Esse machismo também pode ser visto na TV, nos raros exemplos de poligamia. Na novela  O Clone (Globo), por exemplo, a poliginia era uma pauta comum. Na série Big Love (HBO), também vemos uma família com várias esposas. Mas normalmente quando uma mulher se interessa por dois homens ou vice-versa, o que temos é um triângulo amoroso: The Vampire Diaries, Teen WolfSkinsGleeGossip Girl… Todas possuem seus triângulos amorosos.

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E isso porque não entramos no campo dos filmes, outra área repleta de formas geométricas, que algumas vezes se tratam até de quadrados ou pentágonos: é só sortear qualquer comédia romântica e a chance de haver uma disputa por uma mulher é de pelo menos 90%.

Usando Fuller House novamente como exemplo, mesmo que os pretendentes da protagonista D.J. não possuam relacionamentos amorosos entre si (que é o mais comum de acontecer na poligamia), os três ainda poderiam formar um casal de três: SteveMatt amam D.J., e ela os ama também; de quebra, os dois pretendentes são grandes amigos, então por que a relação tem que ser uma disputa?

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Seria ainda mais difícil se pensássemos em poliamor (quando o amor existe entre todos os membros de um casal poligâmico)? Sim, seria. Então, no campo dos múltiplos cônjuges, por enquanto pelo menos, parece que teremos apenas um relacionamento aberto aqui e ali nas séries, e mais raramente ainda uma poliginia.

Mas, talvez, a questão da poligamia esteja mais relacionada com a aceitação do público que com uma representatividade em si, como casais gays, há uns anos atrás, e infelizmente podemos ainda ter uma longa jornada até vermos casais de três (ou mais) na TV com mais frequência. Torçamos então para que essa jornada não seja tão longa assim, e emissoras mais notórias no campo da representatividade, como a própria Netflix e a HBO, por exemplo, sejam também percussoras na introdução de casais fora do padrão monogâmico.

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